Divulgação científica. Precisamos falar sobre isso!
- Bianca Peres
- 8 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de mai. de 2025
Divulgação científica. Precisamos falar sobre isso!
A divulgação da ciência sempre foi uma área subvalorizada. Não falo de congressos ou seminários voltados à comunidade científica, mas de comunicação à população leiga.
Na minha passagem pela pós-graduação, observei pouca iniciativa na área de educação, menos ainda em relação à comunicação científica. Acredito que o diálogo entre academia e sociedade é um fator importante não só para os acadêmicos, mas também para a comunidade externa.
Esse panorama começou a mudar devido à pandemia de COVID-19. A ciência, pelo menos aos olhos da população, passou a ser vista como elemento fundamental para o desenvolvimento do país.
E, assim, a comunicação da ciência tornou-se cotidiana a todos nós. Apesar do avanço, é preciso cautela! Caso ela não seja eficiente, os resultados podem ser devastadores.
A meu ver, um dos principais problemas da divulgação científica é que nem sempre ela é feita por cientistas!
As matérias, embora embasadas em entrevistas com pesquisadores, podem ter seu sentido alterado durante a edição do texto. Uma mudança pequena, como uma troca de palavra, pode mudar completamente o sentido da informação.
Outro fator está na falta de empatia com o público. Tenho certeza de que você já deve ter sentido um certo ar de superioridade por parte de certos divulgadores.
E um erro catastrófico: misturar ciência com política.
Além de gerarem descrédito, os efeitos provocados podem ser exatamente contrários aos desejados; formação de grupos anticiência, divulgação de notícias falsas…
Esses elementos, aliados à dificuldade de traduzir a ciência para a população, tornam a divulgação científica um ramo desafiador, mas não menos interessante.
Em relação a esse último, Mercier e Souza (2008) (1), é preciso ter cuidado com a banalização da ciência. A linguagem utilizada deve equilibrar a simplificação e a complexidade da pesquisa.
Já para quem quer seguir carreira como divulgador, existem ainda as barreiras do mercado. Há poucas vagas, especialmente para quem não é jornalista.
Quando o trabalho é realizado por cientistas, grande parte é de forma voluntária. Cabe ao interessado o desafio de saber como monetizar seu trabalho.
Apesar das dificuldades, segundo Contera (2021) (2), a comunicação é parte central da missão da ciência. Quando inclusiva, reativa e autorreflexiva pode se tornar inspiradora e até mesmo gerar políticas mais democráticas e igualitárias.
Para isso, no entanto, precisa ser honesta, transparente e intencionar o uso da ciência para o bem comum.
Complementando a ideia da autora, acredito que, antes de tudo, o divulgador deve compreender (e transparecer) que a ciência não é questionável. É e deve ser contestada. Afinal, ela surge de questionamentos, análises e discussões.
Se você busca alguém com conhecimento científico, sensibilidade na comunicação e compromisso a qualidade da informação de qualidade, estou pronta para contribuir. Entre em contato! 💡
Referências
(1) Tornar o conhecimento acessível — sem cair na simplificação — é o grande desafio dos profissionais que trabalham com divulgação científica. Disponível em: https://www.ufmg.br/diversa/13/educacao.html. Acesso em 12 de junho de 2021.
(2) Contera, S. Communication is central to the mission of Science. Nature Reviews. Materials, vol. 6, 2021.






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