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Minha experiência na extensão universitária

Durante o meu doutorado, participei da organização da primeira e terceira edições do curso de inverno de Microbiologia Básica e Biologia Molecular Aplicada.


Esse curso, proporcionado pelo Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB-USP), teve sua primeira edição em 2014, sendo idealizado por uma aluna do programa de pós-graduação.


Devido ao enorme sucesso, evidenciado pelo número de inscrições recebidas e avaliações positivas dos participantes, o curso passou a ser ofertado anualmente até 2019. Em 2020, devido à pandemia, o curso foi suspenso e até o momento não há previsão de retorno.


Nós participamos de todo o processo de criação, desde a escolha dos temas das aulas, seleção dos inscritos, busca por patrocínio, divulgação do curso, etc. Além, é claro, de ministrar as aulas. A produção desse evento, portanto, requereu diversas habilidades.


Certamente foi uma experiência riquíssima para mim, onde pude aprimorar não só meus conhecimentos técnicos, mas também as “soft skills”. Foi preciso saber trabalhar em grupo, trabalhar sob a pressão do prazo (confesso que na primeira edição eu quase desisti, pois estava na fase de qualificação), saber ouvir a opinião dos alunos e transformar as críticas em desenvolvimento pessoal.


A extensão universitária, apesar de pouco difundida, é um elemento importante na vida do acadêmico. Consiste na comunicação entre universidade e sociedade por meio da difusão do conhecimento.


No entanto, a comunicação não é unilateral; pretende-se gerar discussões e soluções em prol da sociedade. Dessa forma, os ganhos abrangem todos os envolvidos.


Existem diversos tipos de atividades com esse propósito e a organização de cursos é apenas um exemplo. Entre as contribuições importantes dos cursos de extensão destaca-se a possibilidade do aluno visitante conhecer melhor a universidade, contactar alunos da pós-graduação e, para aqueles que têm interesse em ingressar na pós-graduação, conversar com possíveis orientadores. Além, é claro, da democratização do conhecimento para além da minoria aprovada nos vestibulares.


A participação ativa dos alunos em projetos desse tipo enquadra-se na categoria de metodologias participativas. Em outras palavras, o aluno tem a possibilidade de aprender na prática. Esse aspecto complementa um fator importante da docência no ensino superior que corresponde à interdependência entre ensino, pesquisa e extensão universitária.


Porém, percebo pouco incentivo por parte da universidade (pelo menos pelos lugares que passei e até o momento em que estive por lá) em fortalecer esse tripé.


Resumindo, acredito que esse tipo de iniciativa beneficia a todos os envolvidos e deve ganhar mais espaço, reconhecimento e incentivo. Os pós-graduandos precisam ser mais ativos, comunicativos e engajados.


Já a pós-graduação precisa de uma reforma urgente, pois o modelo tradicional já não é mais compatível com as exigências do mercado de trabalho.


Além disso, a inércia com que trata os projetos de extensão prejudica não só a sociedade, mas também os próprios departamentos, já que se abstêm de debates necessários, relevantes e proveitosos.

 
 
 

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©2025 por Bianca de Miranda Peres. 

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