Os benefícios dos probióticos à saúde humana.
- Bianca Peres
- 30 de mai. de 2023
- 3 min de leitura
Os microrganismos fazem parte de nós. Alguns são benéficos e nos auxiliam a produzir vitaminas, enquanto outros podem nos causar doenças. Alguns são residentes, outros estão só de passagem.
A preservação da saúde humana, muitas vezes envolve a manutenção do equilíbrio entre esses microrganismos e nós. A microbiota intestinal, em especial, tem um papel fundamental nessa tarefa, já que a maioria dos microrganismos que habitam nosso corpo ali residem.
Age proativamente para o bem-estar humano, atuando em diversos processos biológicos e nos protegendo do estabelecimento de doenças.
Vocês conseguem imaginar que a comunidade microbiana intestinal é composta de aproximadamente 100 trilhões de microrganismos?
Por essa razão, a comunidade científica volta as atenções para a microbiota humana, buscando compreender profundamente nossa relação com esses microrganismos. Quem são, o que fazem e o que acontece quando uma população aumenta ou diminui?
São perguntas que a ciência quer desvendar. O objetivo é desenvolver diagnósticos baseados no microbioma e tratamentos personalizados.
Microbiota e doença
A disbiose, nome dado ao desequilíbrio da microbiota, contribui para diversas doenças. As mudanças podem ocorrer em resposta a fatores internos e externos.
O estilo de vida moderno, por exemplo, afeta a diversidade de diversos gêneros da microbiota intestinal, acarretando o aumento da incidência de distúrbios metabólicos crônicos. Isso decorre das melhores condições de higiene atuais, que impactam sobre o sistema imune. Mas não é só isso!
Uma dieta rica em gordura e proteína animal e baixa ingestão de fibras vegetais, que refletem especialmente os costumes ocidentais, acarreta o desenvolvimento de uma microbiota anômala que gera um ambiente inflamatório crônico e resistência à insulina. Como resultado, há maiores chances de desenvolver obesidade e diabetes tipo 2.
O uso prolongado de antibióticos, também parece contribuir com as mudanças. Evidências sugerem que a utilização na infância, por exemplo, pode alterar a microbiota intestinal. Essas mudanças, por sua vez, podem estar relacionadas com aumento de casos de obesidade precoce.
Outras doenças também parecem estar relacionadas a disbiose: doenças cardiometabólicas como arteriosclerose, esteatose hepática não alcoólica, doenças respiratórias como asma, distúrbios neurodegenerativos como Parkinson e até algumas formas de câncer.
Intervenções terapêuticas
Atualmente, existem diversas estratégias para restabelecer a microbiota. Podemos dividi-las em duas categorias: sem alvo específico e com alvo específico:
- SEM ALVO ESPECÍFICO que compreende exercícios, dietas, transplante de microbiota fecal e utilização de probióticos;
- COM ALVO ESPECÍFICO como terapias com microrganismos geneticamente modificados, por fagos, por CRISPR-Cas e por drogas que agem sobre metabolismos microbianos específicos.
Probióticos
Ao contrário de muitas dessas intervenções modernas, a utilização dos probióticos para promover a saúde humana, começou há mais de cem anos. Elie Metchnikoff, um microbiologista russo, sugeria a ingestão de iogurte, pois sabia da presença de bactérias benéficas nesse alimento.
Foi em 1954 que o termo “probiótico” foi introduzido na terminologia médica, por Ferdinand Vergin.
Lactobacillus, Bifidobacterium, Enterococcus são conhecidos de longa data quanto aos seus impactos positivos na estabilidade da microbiota intestinal. Ao colonizarem o intestino, esses microrganismos dificultam o estabelecimento de patógenos pela competição por nutrientes e bloqueio dos locais de adesão.
Outra estratégia é a produção de substâncias como ácidos orgânicos, ácidos graxos de cadeia curta, bacteriocinas que apresentam atividades antimicrobianas. Com o avanço das técnicas moleculares, outros gêneros também têm sido apontados como potenciais probióticos como, por exemplo, Akkermansia muciniphila, Faecalibaterium prausnitzii e diversas espécies de Clostridium.
A ciência comprova os benefícios dos probióticos.
Diante de tantas evidências, os probióticos aplicam-se na prevenção e tratamento de doenças. O objetivo é reduzir os sintomas dos estados clínicos ou atuar como adjuvantes na manutenção da microbiota intestinal normal e no fortalecimento da imunidade.
Veja, abaixo, os benefícios do uso dos probióticos:
- modulação da microbiota intestinal induz a expressão de diversos genes envolvidos em importantes funções intestinais como: modulação do sistema imune, absorção de nutrientes, metabolismo de xenobióticos, angiogênese;
- inibição de microrganismos patogênicos;
- prevenção contra o desenvolvimento de doenças metabólicas e outras doenças crônicas;
- auxílio no tratamento de doenças alérgicas como rinites, asma, dermatite e, até mesmo, alergias alimentares.
Referências
CROVESY, Louise; GONCALVES, Daniela C; TRIGO, Elke L. Probiotics in allergy treatment: a literature review. Rev Esp Nutr Hum Diet, Pamplona , v. 21, n. 3, p. 293–299, sept. 2017. Disponible en <http://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2174-51452017000300011&lng=es&nrm=iso>. accedido en 31 agosto 2022. https://dx.doi.org/10.14306/renhyd.21.3.361.
Markowiak P, Śliżewska K. Effects of Probiotics, Prebiotics, and Synbiotics on Human Health. Nutrients. 2017 Sep 15;9(9):1021. doi: 10.3390/nu9091021. PMID: 28914794; PMCID: PMC5622781.



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