Seleção natural. Uma epifania de Natal.
- Bianca Peres
- 30 de mai. de 2023
- 2 min de leitura
Tenho dois tios. Um se chama Darwin, rico, anda de barco. Em uma das suas viagens, resolveu conhecer o mundo e esfregar na cara da sociedade as maravilhas que conheceu. Várias ilhas e animais exóticos.
Tio Darwin quando voltou dessa viagem, nos contou que ficou encafifado em relação às aves muito semelhantes que viviam em cada uma dessas ilhas, mas diferiam em determinadas características.
Pertenciam todas à mesma espécie? Será que a variação geográfica fazia com que as espécies mudassem? Por que as espécies mudam? O que faz com que elas sejam tão bem adaptadas à vida?
Para tentar explicar, considerou várias ideias. Lembrou-se até mesmo de meu outro tio, Lamarck, mal-humorado e com mania de perseguição. Suas ideias outrora já haviam exercido grande influência. Afinal, ele já havia levantado a questão sobre a transformação das espécies.
Para tio Lamarck, as espécies persistiam indefinidamente, ou seja, não se ramificavam e nem se extinguiam. Para mudarem, as espécies apresentavam uma força interna que resultava em uma mudança na prole, ainda que pequena. Ao longo de várias gerações, essas mudanças já haviam se acumulado e eram suficientes para produzir uma nova espécie (o famoso exemplo do pescoção da girafa).
No fim das contas, a espécie seria transformada pela herança de caracteres adquiridos. Por causa disso, coitado, foi motivo de chacota. Na verdade, a maioria das pessoas não entendeu que a teoria não sugeria uma vontade consciente por parte do organismo, mas somente certa flexibilidade no desenvolvimento.
Essa história triste não convenceu tio Darwin. Foi lendo um livro que lhe dei de Natal que veio a epifania. O livro em questão era Ensaio sobre Populações, de Malthus.
“Se não é a ação das condições ambientais nem a vontade dos organismos que torna as espécies bem adaptadas, será que, na verdade, variações favoráveis tenderiam a ser preservadas enquanto as desfavoráveis seriam destruídas, formando assim uma nova espécie?”
No fim das contas, as formas mais adaptadas tendem a contribuir com uma descendência maior, e, assim, a composição da população se altera. BINGO! Nasce a teoria da seleção natural.
Tio Darwin resumiu todas as suas ideias em um livro, o famoso “A origem das espécies”. Que não dei de presente de Natal para ninguém, confesso que tio Darwin era genial, mas nada didático!



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